HISTÓRIA DOS DOCUMENTOS DE URÂNTIA

 

De Larry Mullins

 

Com

 

Dr. Meredith Justin Sprunger

 

Epílogo

 

Nós atravessamos quase um século em nosso exame da história dos Documentos de Urântia. Os editores deste livro esforçaram-se para fornecer as melhores informações disponíveis acerca da materialização dos documentos, a conversão deles em um manuscrito datilografado, o processo pelo qual eles foram mais tarde convertidos em placas de impressão, sua publicação como um livro em 1955, e o destino do texto original depois disso. Ao longo do caminho, nós descobrimos muitos acontecimentos e ligações inesperados, e sinceramente tentamos desvelá-los à medida que seguíamos a verdade, onde quer que ela nos levasse. Consideradas individualmente, essas idéias podem não necessariamente serem novas, mas cada uma delas está apoiada por documentação, e cada uma delas está logicamente conectada ao quadro geral. A composição resultante dá-nos uma história razoável e coerente do início ao fim.

 

O fato mais importante acerca dos Documentos de Urântia, que eu creio que estabelecemos com razoável certeza, foi que a impressão de 1955 do Urantia Book foi produzida sem intromissão humana deliberada. Os erros que existem no texto foram erros menores e não intencionais. As impressões subseqüentes dos Documentos de Urântia, embora contendo alterações devidas a intromissões humanas, estão razoavelmente próximas do texto original de 1955. Escrevo isto com alguma reserva, porque continuo convencido de que a situação requer que um “conservador do texto” digno de confiança deve publicar o texto original outra vez (com notas finais apropriadas) e novamente torná-lo disponível para todos os leitores do Urantia Book.

 

Segundo em importância foram as seguintes seqüências: Documentação e testemunho de membros do Fórum estabelecem claramente que o processo de revelação teve lugar continuamente de 18 de janeiro de 1925 até 31 de maio de 1942, quando o texto foi fixado pelos Reveladores. Comunicou-se ao Fórum, naquela ocasião, que nenhuma indagação adicional seria acolhida. A revelação tinha sido concluída e o Fórum dos domingos deixava de existir como um Fórum e tornava-se um grupo de estudos dos domingos. O texto foi em seguida composto tipograficamente, provas foram feitas, corrigidas e aprovadas pela Comissão de Contato, e em seguida o texto foi passado para placas. Um conjunto de Intermediários (não mais como Reveladores) supervisionou todo o processo de uma distância calculada e respeitosa. E viram assim que a Quinta Revelação de Época tinha sido entregue à corrente principal evolucionária em condições razoavelmente boas.

 

Uma vez feitas as placas, o manuscrito datilografado do próprio texto original foi destruído por ordem da Comissão de Intermediários. Dessa forma, por volta de 1945, depois de décadas de atividades Reveladoras, as placas de impressão (e as páginas de prova por elas geradas) tornaram-se as únicas manifestações materiais do texto original dos Documentos de Urântia. As placas continham (presumivelmente) erros humanos que se acumularam algures ao longo do processo evolucionário, e não havia sido deixada trilha de papel para descobrir quando ou como esses erros ocorreram. Contudo, é auto-evidente que os Intermediários consideraram o texto (e subsequentemente as placas) aceitáveis, não obstante as imperfeições que existiam. A Urantia Foundation foi estabelecida em 1950 ”tendo como base” as placas, (as quais agora constituíam o texto original). As placas foram estocadas nos subterrâneos das instalações de R.R. Donnelley & Sons, em Crawfordsville, Indiana, de 1945 até 1955, quando o livro foi impresso. Quando a impressão se completou, elas voltaram para os subterrâneos.

 

A Urantia Foundation foi especificamente projetada para funcionar como uma entidade autônoma, e a Comissão de Contato permaneceu ativa até algum momento de 1955. Ao tempo em que a Declaração de Custódia foi finalizada em 1950, ficou bem estabelecido pelas contínuas leituras das folhas de prova das placas, que havia erros datilográficos nas placas. Contudo, além dos erros datilográficos, é altamente provável que as possíveis inconsistências editoriais que eventualmente foram descobertas no texto publicado não eram conhecidos pela Comissão de Contato ao tempo do estabelecimento da Urantia Foundation. Os Intermediários aparentemente conferiram aprovação tácita à Declaração de Custódia com plena ciência dos possíveis problemas editoriais que existiam nas placas. Parece provável que a Comissão de Intermediários foi constrangida a contar com a sabedoria humana – dentro dos parâmetros do documento da Declaração de Custódia. – para eventualmente lidar com os erros datilográficos e os problemas editoriais. Depois que o Livro foi publicado em 1955, a Comissão de Intermediários sancionou e os mortais foram informados de que dali em diante eles estariam por conta própria. Em 1967, aparentemente sem o conhecimento de todos os Curadores, um considerável número de placas foram destruídas e substituídas por placas alteradas para a segunda impressão de 1967. Dr. James C. Mills sucedeu a Christy como um Curador em 1971. De acordo com o que o Dr. Mills escreveu em 1991 (Veja Cap. 9, e o texto completo da carta no Apêndice B), alguns Curadores foram informados de que todo o Urantia Book tinha que ser recomposto devido a mudanças tecnológicas na impressão. Não era esse o caso.

 

De uma perspectiva histórica, e confinando-nos tanto quanto possível à questão dos Documentos de Urântia e respectiva conservação, o que vamos fazer das desordens e turbulências que se seguiram à segunda impressão em 1967? O Dr. Sprunger observou muitas vezes que as ameaças importantes para o Movimento de Urântia vieram – não de fora como muito cedo os urantianos tinham antecipado – mas de dentro. Por que? Em meu julgamento, dois fatores emergem como as atitudes e forças subjacentes que causaram confusão e caos no interior do Movimento de Urântia. Um é o temeroso espírito de propriedade e o outro é uma orgulhosa intitulação. O elemento de espírito de propriedade é mais do que cortantemente claro, enquanto o relacionado elemento de intitulação é mais difícil de definir.

 

Espírito de propriedade – a quem pertence a Revelação?

 

Há dois mil anos, de acordo com o ensinamento católico, Pedro supostamente recebeu de Jesus as “chaves do reino”. E (mais uma vez supostamente), com as palavras: “Sobre esta pedra (Pedro) edificarei a minha igreja”, foi estabelecida a Igreja Católica. A “autoridade” religiosa hierárquica cristâ e os “direitos divinos” de sucessão foram estabelecidos sobre essas presunções, e seguiram-se séculos de governo por Papas “infalíveis”. Todas as “implicações espirituais” a propósito de Jesus e dos “crentes individuais” foram assim transferidas de Jesus para a Igreja. E quando Paulo e seus contemporâneos fizeram isso, “eles lançaram um sopro de morte sobre o conceito apresentado por Jesus de um reino divino no coração do crente individual”. [1865, final]

 

Quando eu era relativamente novo no Movimento de Urântia, alguns indivíduos me disseram que os Curadores e seus sucessores tinham recebido as “chaves do reino” na forma de seus “mandatos”. Mais do que isso, a Urantia Foundation assegurou a propriedade da própria Revelação, da Bandeira de Michael e da palavra Urântia, com base nesses misteriosos “mandatos” e “mensagens especiais” que estão alegadamente trancadas num cofre em algum lugar do Diversey Parkway 533. Para muitos urantianos, isso seria comparável ao Papa reivindicar a propriedade dos textos da Bíblia, do símbolo da cruz e da palavra “cristão”. Para grande número de urantianos, em vista das advertências de Clyde Bedell, Bill Sadler Jr. e outros, a fraqueza humana de desejar possuir e controlar o texto, tem criado desunião e impedido a propagação da Revelação. O tempo e a luta evolucionária parecem ter determinado que The Urantia Book esteja permanentemente no domínio público. Ainda está em questão a conveniência de que haja “autoridade” e “propriedade” humanas sobre a Bandeira de Michael, o direito de usar livremente o nome do nosso planeta, e o direito de identificar-se religiosamente como um urantiano.

 

O comentário que se segue pode ser caracterizado por alguns como político. Mas, o que está em questão tem pouco a ver com problemas organizacionais. O que está em questão não são políticas mas valores. Mais significativamente verdade – não a simples e factual natureza da verdade, mas também o significado do que nós descobrimos. Neste ponto, é apropriado repetir o que foi escrito na introdução desta história:

 

“Histórias são obstáculos inescapáveis e processos dolorosos. As pessoas que empreenderam essa tarefa de desenvolver uma história boa e sadia estão cientes de que o produto final é um argumento cogente que pode ajudar a delinear o destino dos Documentos de Urântia. As apostas são altas, porque o que em última análise está em causa são as várias filosofias e programas daqueles que buscam controlar a Revelação de Urântia. Virá sem surpresa, então, que as interpretações dos eventos relativos aos Documentos de Urântia estejam destinados a ser violentamente contestados. Algumas vezes os fatos acerca dos Documentos de Urântia estarão em litígio, mais frequentemente, contudo, o significado dos fatos será o centro de controvérsia histórica.”

 

Com essas noções em mente, nós voltaremos a visitar alguns dos temas e desafios difíceis que confrontam cada urantiano, plenamente ciente de que aquilo que cada um de nós decide a cada momento é de importância para a revelação.

 

Não há documentos “secretos”

 

Não pode ser demasiadamente enfatizado que todas as supostas “mensagens secretas” assim como os apócrifos tidos como associados com os Documentos de Urântia têm origem duvidosa. Pode haver um problema moral quanto a se cópias de qualquer um desses materiais devia até mesmo existir. Nenhuma das supostas mensagens são revelação, nenhuma pode ser autenticada. Elas podem ter variados graus de valor acadêmico e – no melhor dos casos – apenas moderados graus de confiabilidade e relevância. Quando quer que eu tenha usado um desses documentos nesta história, eu tratei cuidadosamente de negar que houvesse segurança quanto à sua autenticidade. Além disso, embora seja apropriado pesar informações apócrifas num exame histórico, não é apropriado usá-las para apoiar exigências de controle autoritário.

 

Um exemplo a mais do uso inapropriado e da questionável confiabilidade de um apócrifo será bastante. No Capítulo 10, nota final 19, nós documentamos a declaração de Tom Kendall sobre como, em 1980, uma “Mensagem” supostamente dos “Intermediários” foi entregue pela Curadora Emérita Christy e o Curador Martin Myers a Tom Kendall, Presidente da Urantia Foundation. A mensagem advertia contra “discussões longas e improdutivas” com Jacques Weiss, que tinha traduzido The Urantia Book para o francês. A “mensagem” sugeria a leitura da página 840, que relata a conspiração de Caligástia contra Adão e Eva. Nós documentamos como Tom testifica que ele trouxe essa “mensagem” para a atenção dos Curadores e empregados do 533, para suas considerações. A impressão deixada foi que esse procedimento de receber “mensagens” relativas a importantes decisões de políticas da Fundação e passá-las em volta não era uma ocorrência incomum na cultura do 533. Outro exemplo igualmente perturbador do uso de “mensagens” suspeitas, pelos mais interiores dos círculos interiores é também documentado por um escrito de 1990, de Tom e Carolyn Kendal, que eles distribuíram no Conselho Geral da Urantia Brotherhhod quando eu era um Conselheiro: RESPONSE TO URANTIA FOUNDATION'S SPECIAL REPORT TO READERS OF THE URANTIA BOOK AND COMMENTS ON OTHER RELATED SUBJECTS. [Resposta ao Relato Especial da Urantia Foundation para os Leitores do Urantia Book e Comentários Sobre Outros Assuntos Relacionados]. Na página 3 do documento original, Tom revela:

 

“No começo de 1966 os Curadores começaram a perceber que a Fundação precisava fazer mais para proteger o nome, Urantia. Christy tinha recentemente trazido à minha atenção uma mensagem que fora dada à Comissão de Contato em 1942:

 

“’Vocês não fizeram o bastante para proteger o nome. Vocês devem salvaguardar cuidadosamente o nome Urântia. Façam-no muito seguro por uma geração, de forma que ele não possa ser pré-esvaziado. Na entrega aos cuidados de uma lei-comum vocês conservam o nome. Vocês também o seguram no copyright. Vocês devem também registrá-lo cuidadosamente junto à divisão do governo que controla as relações comerciais. Vocês devem salvaguardar o nome de todas as formas. Este é um dos seus mais importantes deveres’”.

 

Podemos fazer várias indagações acerca dessa “mensagem”. Evidentemente, é uma pretendida cópia de uma mensagem que se diz ter sido comunicada em 1942, porque todos os originais das autênticas mensagens dos Intermediários eram para ser destruídas. Mas, deve-se supor tenha ela sido originalmente uma “mensagem” escrita ou verbal? Foi ela dada à Comissão de Contato de acordo com o protocolo estabelecido, ou alega-se que ela foi recebida por um indivíduo isolado? Por que uma mensagem tão importante nunca foi anunciada antes? Por que não foi ela mencionada nas Histórias?

 

Carolyn e Tom fornecem pistas adicionais para a possível origem dessa “mensagem” numa entrevista com Polly Friedman no número do Verão de 1993 de The Conjoint Reader (publicado pela Escola de Significados e Valores, Santa Mônica, CA). Durante a entrevista, a mesma alegada “mensagem” de 1942, mencionada no documento dos Kendall de 1990 é destacada. Nessa entrevista, ficamos sabendo que a “mensagem” era verbal. Carolyn revela na página 3: “Havia mensagens verbais adicionais que vieram para o Dr. Sadler e Christy. Uma das que vieram foi a “mensagem”: ‘Vocês não fizeram o bastante para proteger o nome Urantia: registrem-no na divisão do governo sobre a qual eu colhi informações, do mesmo modo que vocês fazem com o copyright do livro’.Isso foi em 1942”. Polly oferece em seguida esta isca: “Assim sendo proteger o nome é importante; isso foi uma sugestão real?” Então Carolyn e Tom (em uníssono) responderam: “Sim, foi uma ordem”. E Polly, evidentemente vencedora, acrescenta: E para ser seguida ao pé da letra”.Carolyn decide então enfatizar a “mensagem” de 1942, que ela tinha consigo, lendo-a para Polly, palavra por palavra. Carolyn diz para Polly, “Aqui está, considerando o nome Urantia”. Note-se as significativas variações do documento que ela e Tom prepararam e distribuíram em 1990. (Acréscimos com relação à versão de 1990 são indicadas por maiúsculas comuns, não sublinhadas, supressões, por maiúsculas sublinhadas: “Vocês não fizeram o bastante para proteger SALVAGUARDAR o nome DE VOCÊS. (SIGNIFICANDO O NOME URANTIA). Vocês devem salvaguardar cuidadosamente o nome Urântia . Façam-no muito seguro por uma geração, de forma que não possa ser pré-esvaziado. Na entrega aos cuidados de uma lei comum vocês conservam o nome. VOCÊS TAMBÉM O CONSERVAM NUMA CORPORAÇÃO. UMA CORPORAÇÃO TEM STATUS NA LEI. Vocês também o seguram no copyright. Vocês devem também registrá-lo cuidadosamente junto à divisão do governo SOBRE A QUAL EU COLHI INFORMAÇÕES que controla as relações comerciais, marcas comerciais. MARCAS COMERCIAIS, E ENTÃO VOCÊS ESTÃO PROTEGIDOS PELA LEI COMUM EM CONEXÃO COM UMA ASSOCIAÇÃO DE VOLUNTÁRIOS TAL COMO VOCÊS ESTÃO PLANEJANDO NA URANTIA BROTHERHOOD. De todas ESSAS formas vocês devem salvaguardar o nome. ESTE É UM DOS SEUS MAIS IMPORTANTES DEVERES”.

 

Carolyn faz uma pausa para informar a Polly: “E essa última sentença estava em maiúsculas”. [Nota: No documento de 1990 essa sentença não estava em maiúsculas.] Em seguida Carolyn continua com novas frases adicionais:

 

“EM 50, 75 OU 100 ANOS O NOME ESTARÁ RAZOAVELMENTE SEGURO. VOCÊS O SALVAGUARDAM POR UMA GERAÇÃO E POR MUITO TEMPO ELE TOMARÁ CONTA DE SI MESMO”.

 

Eu confesso que estou aturdido. Como podia uma “ordem” tão “importante” dos Intermediários ser apresentada duas vezes pela mesma pessoa e ter tão amplas variantes? A segunda versão tinha o dobro da extensão e tinha várias mudanças de palavras. Por que ambas as versões mostram tanta pobreza gramatical? Quem editou o material? Como pôde uma mensagem verbal ser entregue com uma passagem “em letras maiúsculas?” E se era tão importante enfatizar, por que o relato de 1990 da mensagem não usou letras maiúsculas naquela passagem? A Urantia Brotherhood não recebeu a aprovação dos Intermediários até 1952, e não foi oficialmente denominada e instituída até 1955, treze anos depois da suposta mensagem. Por que disse a segunda versão da mensagem: ”Marcas comerciais, e então Vocês estão protegidos pela lei comum em conexão com uma associação de voluntários tal como vocês estão planejando na Urantia Brotherhood”? Uma geração é usualmente definida como vinte e cinco ou trinta anos. Por que foi uma personagem celestial tão ambígua? Primeiro esse mensageiro anônimo diz “uma geração”, e mais tarde “50, 75 ou 100 anos”, e um pouco mais tarde “uma geração” é usada outra vez.

 

Ainda assim, por aproximadamente duas gerações, na base dessa pretendida “mensagem” verbal, a Urantia Foundation tem procurado justificar suas alegações de direitos de propriedade das palavras “Urantia” e “Urantian”. Em 1990, Thomas Kendall escreveu que em 1966 ele tinha sido surpreendido pela pretendida “mensagem” porque ele tinha “sido um Curador por três anos” e “esta fora a primeira vez que ouvira falar dessas instruções”. Ele disse que as “instruções” eram contrárias às opiniões prevalecentes do conselho legal, que tinha advertido que o ”costume, a adoção e o uso” eram os meios para obter direitos sobre a palavra Urantia. Não obstante, de acordo com Tom, em 1966, a Curadora Christy tinha-lhe trazido essa versão escrita de uma “mensagem” (que, se autêntica, devia ter sido destruída quando o Livro foi publicado). E Tom obedientemente adiantou-se para cumprir a ordem da “voz” anônima que, segundo disseram, tinha sido gravada de alguma forma, por alguém, há mais de duas décadas – e que tinha ficado despercebida numa gaveta de arquivo, desde então

 

O Dr. Sadler nada “canalizou”

 

Outra perturbadora e relativamente nova tendência daqueles que acreditam em “comunicações verbais” anônimas de “seres espirituais” para indivíduos “especiais” é que eles incluem o Dr. Sadler como sendo um produtor desse material. Alguns urantianos acreditam que o nome do Dr. Sadler é usado num grosseiro esforço para conferir credibilidade adicional ao processo que supostamente produziu “mensagens secretas”. Na entrevista com Polly, notamos que Carolyn dá a entender que havia participação do Dr. Sadler em tais menssagens, quando diz: Havia mensagens verbais adicionais que vinham para o Dr. Sadler e Christy”. Conquanto Carolyn tenha escrito previamente que Christy lhe disse que continuava em contato com os Intermediários, Carolyn, que eu saiba, nunca declarou ou escreveu que o Dr. Sadler jamais lhe tenha dito algo semelhante.

 

Não há um fragmento de documentação ou testemunho crível que dê suporte à idéia de que o Dr. Sadler dissesse que se comunicava com os Intermediários fora da Comissão de Contato, e grande número de testemunhos e de documentação refuta essa possibilidade. Na opinião unânime dos Editores deste livro, Christy era o único membro da Comissão de Contato que alguma vez alegou que estava individualmente em contato com “Intermediários” – e apenas Christy fez declarações de que ela tinha “recebido” a alegada “aprovação” de “vozes” anônimas, para alterações no texto original. Não há testemunhos conhecidos de que as “vozes” supostamente ouvidas por Chisty tenham sido ouvidas por qualquer outra pessoa, nem evidências quaisquer de que o Dr. Sadler tenha aprovado tais práticas. É também razoavelmente certo que os rumores de atividades “de canalização” de Christy não começou a vir à tona na estrutura geral de poder da Foundation e da Brotherhhod senão depois da morte do Dr. Sadler em abril de 1969. Essa é a opinião do Dr. Sprunger, que estava lá, que conhecia os indivíduos e que trabalhava com a estrutura de poder do 533. Antes da morte do Dr. Sadler, apenas um número muito pequeno do círculo interno estava a par das assim-chamadas “mensagens” de Christy.

 

O Dr. Sadler não autorizou alterações do texto

 

A Urantia Foundation também publicou declarações visando estabelecer que tanto Christy quanto o Dr. Sadler estavam individualmente envolvidos com “Reveladores” em 1967 e ambos eram responsáveis pelas alterações do texto original. Na apresentação do site da Foundation intitulada : Setting the Record Straight, (http://www.urantia.org/newsinfo/strs.htm) a Urantia Foundation interpõe esta indagação retórica na parte 7:

 

“Devemos propor a questão àqueles que sabiam da integridade desses indivíduos: teriam o Dr. Sadler e Christy feito essas alterações no texto sem uma boa razão?”

 

Essa tentativa de justificar as alterações de 1967 ao texto original, pela ligação delas ao Dr. Sadler, não encontra apoio em documentação nem em testemunho confiável.. Quando a Urantia Foundation foi estabelecida em janeiro de 1950, os Curadores aceitaram toda a autoridade e responsabilidade pelo texto original (as placas). O Dr. Sadler preferiu não ser um Curador. Sabemos que em 1967 ocorreu a destruição de parte dos bens substantivos (as placas ou o texto original) como definidos na Declaração de Custódia. Em virtude da total falta de documentação, não podemos saber que “boas razões” pode ter existido na mente de alguém para destruir parte dos bens substantivos sem uma votação unânime dos Curadores – que é o previsto na Declaração de Custódia para que tal ação possa ser legalmente levada a efeito. (Veja Apêndice F, Declaração de Custódia da Urantia Foundation, Artigo V, Seção 5.2). Nem o Dr. Sadler (que nunca foi um Curador) nem Christy tinha autoridade para autorizar a destruição de qualquer parte dos Bens Substantivos da Declaração de Custódia da Urantia Foundation, independentemente de qualquer suposta “boa razão” para fazê-lo.

 

Ainda assim, se devemos acreditar em Carolyn Kendall, Christy autorizou e efetuou alterações do texto original porque ela acreditava que os “Reveladores” lhe tinham dado a autoridade para assim fazer. E Tom Kendall disse a Carolyn que os Curadores “nada tinham a ver” com as alterações de 1967. Podemos acreditar nessas afirmações de Carolyn? Não posso ter certeza, mas é claro que a Urantia Foundation depende das informações de Carolyn. Carolyn contribui para o material da Foundation na web e ela foi escolhida para escrever a história do quinquagésimo aniversário da Urantia Foundation.

 

“Os Anos Dourados”

 

No início de 2000, a Urantia Foundation produziu uma história para comemorar seus cinqüenta anos de aniversário, intitulada: Os Anos Dourados, da autoria de Karolyn Kendall e Barbara Newsome. Essa história declara que se baseia em “informações de primeira mão”, mas não é documentada de qualquer forma plausível para apoiar essa declaração. Em nossa própria história, eu usei as fontes da Urantia Foundation ou fontes próximas da Foundation, para retratar os acontecimentos nos quais a Foundation era um participante chave. Com essa restrição, eu limitarei os comentários a uns poucos dos muitos exemplos nos quais Os Anos Dourados é inconsistente com o material da Foundation previamente publicado.

 

A cronologia apresentada em Os Anos Dourados é geralmente acurada, embora muitos acontecimentos importantes sejam omitidos. Essa história também deixa de fora os nomes da Comissão de Contato “em respeito pelo espírito no qual serviram”. Contudo, apresenta a lista de todos os Curadores desde o estabelecimento da Urantia Foundation. Em alguns casos, Os Anos Dourados evocam pesadamente a “História Dois”, que alega ter sido autorizada pelo Dr. Sadler, uma crença que contestamos em detalhe no Capítulo três. Noutros casos Os Anos Dourados se mostram em clara disparidade com a História Dois. Na página 6, Os Anos Dourados declaram que a Comissão de Contato consistia de cinco pessoas (o mesmo número que a Foundation) deixando Bill Sadler Jr. de fora:

 

“Ao lado do paciente, a Comissão de Contato consistia de cinco pessoas inter-relacionadas, os dois médicos, a cunhada e o cunhado dela (sic) e a filha adotiva dos médicos. Quando a esposa do médico morreu em 1939, o filho deles (sic) tomou seu lugar. Desse modo, a Comissão de Contato funcionou com cinco, até que as organizações foram estabelecidas e o Urantia Book foi publicado. Como indivíviduos, eles funcionaram como membros da Comissão de Contato pelo resto de suas vidas”.[Página 6]

 

Esse pesado parágrafo dá suporte às reivindicações e afirmações legais de que a Urantia Foundation é uma continuação da Comissão de Contato. Esse parágrafo também procura estabelecer que “orientação” celestial especial continuou depois que os Intermediários se retiraram em 1955. Esse parágrafo mostra disparidade com o testemunho do Dr. Sprunger, Clyde Bedell e outros que declararam que havia seis membros na Comissão de Contato, incluindo Bill Sadler Jr., que se tornou membro da Comissão de Contato não mais tarde do que 1930, depois de sua saída da Marinha. As declarações desse parágrafo também conflitam com a “História Dois” da Urantia Foundation, que afirma na página 21 do documento original:

 

“O fato de que nenhuma providência jamais foi tomada para repor os membros da Comissão de Contato que poderiam ser perdidos através de incapacidade ou morte, também nos levou à crença de que o Livro seria publicado durante a vida de alguns de nós”.

 

Por que é isso importante? Porque jamais houve uma conexão organizacional entre a Comissão de Contato e a Urantia Foundation. Não houve nenhuma “passagem da tocha”. Nos anos de 1990, a Urantia Foundation começou a fazer declarações legais de que é a organização sucessora da Comissão de Contato. Isso não encontra apoio nos fatos. A Comissão de Contato tinha seis membros permanentes já em 1930, sem previsão de reposição dos membros perdidos. A Urantia Foundation foi estabelecida em 1950, tem cinco Curadores, e os membros perdidos são substituídos por outros através da eleição de novos membros pelos Curadores remanescentes. A Comissão de Contato operava sob direção celestial e cessou de funcionar depois da publicação do texto original em 1955. A Urantia Foundation é dirigida humanamente, e foi fundada como uma entidade completamente autônoma, como está claramente estabelecido no preâmbulo da Declaração de Custódia (Veja Apêndice F) A Comissão de Contato continuou a funcionar por mais cinco anos depois do estabelecimento da Urantia Foundation. Carolyn Kendall relatou que em novembro de 1951, os Setenta e o Grupo de estudo dos domingos ouviram a leitura de uma importante comunicação do “Príncipe Planetário de Urântia em Exercício”. (Veja Cap. 6, para um texto parcial dessa alegada comunicação). Nessa mensagem, a Urantia Foundation e a Comissão de Contato são claramente vistas e discutidas como duas entidades separadas. Portanto, é enganoso quando o parágrafo de Os Anos Dourados afirma: “Dessa forma a Comissão de Contato funcionou com cinco até que as organizações foram estabelecidas e o Urantia Book foi publicado”. A alegação de que a Urantia Foundation é a sucessora de uma organização que era dirigida por seres celestiais é completamente infundada. Essa distinção deve ser feita se nós vamos evitar criar um falso “direito divino” de sucessão de “autoridade”sobre a Revelação (Veja Capítulo 8, e Apêndice F).

 

O parágrafo afirma além disso que: “Como indivíduos eles funcionaram como Membros da Comissão de Contato pelo resto de suas vidas”. Isso implica fortemente que os membros da Comissão de Contato, como indivíduos, permaneceram em contato com os Reveladores depois da mensagem final: “Vocês estão agora por conta própria”. A questão de ter continuado a orientação celestial especial é discutível, e uma que discutimos em toda extensão. Contudo, sou obrigado a destacar que não há documentação que dê suporte à declaração de que aqueles indivíduos a quem Bill Sadler Jr. se referiu como os “membros da falecida comissão de contato”1 tenham retido seus status pessoais como “membros da Comissão de Contato” depois de 1955. A declaração em Os Anos Dourados, autorizada pela Urantia Foundation, implica que os membros da Comissão de Contato como indivíduos permaneceram pessoalmente em contato com Intermediários. O único testemunho nesse sentido é o que Carolyn Kendall nos disse que veio de Christy, e os comentários de Christy acerca de alegados “contatos” individuais (como relatado) referiam-se a ela própria, não a outros membros da Comissão de Contato. Essa sentença aparentemente também tenta dar suporte ao princípio das “mensagens” psíquicas e “canalizações” por indivíduos “especiais” – atividades que se têm demonstrado tão danosas e geradoras de divisão para a comunidade de Urântia.

 

Na página 9 de Os Anos Dourados faz-se a declaração:

 

“Os Documentos de Jesus, sem data no Urantia Book, foram entregues em 1935 com as perguntas do Fórum”.

 

Essa afirmação parece um artifício para apoiar a posição legal da Urantia Foundation contra a publicação dos Documentos de Jesus por Mr. McMullan. A cláusula: “com as perguntas do Fórum” é incorreta. As Histórias UM e Dois relatam que não havia questões que houvessem provocado a entrega dos Documentos de Jesus, os quais foram materializados num único documento escrito. Os Documentos de Jesus foram lidos para o Fórum por um período de anos, e de acordo com Clyde Bedell suscitaram indagações desde 1935 até que todos os Documentos foram lidos para o Fórum. Contudo, a História Dois, (publicada no site da Urantia Foundation) é clara quanto à sua recepção inicial: “De toda a Revelação de Urântia, os Documentos de Jesus foram a maior surpresa”. [Página 3]

 

Na página 16 de “Os Anos Dourados”, sob “Normas para o Governo Planetário – 1951 a 1952” importante informação é omitida. Mais uma vez, a informação que foi removida se contrapõe à idéia de que orientação celestial especial estava sendo fornecida aos Curadores depois de 1955. A mesma omissão foi feita em outra apresentação de Carolyn, e essa foi discutida no Capítulo 8, e nota final #6 do mesmo capítulo. Seria redundante repetir a discussão aqui. Contudo, é repugnante para muitos urantianos que supostas mensagens celestiais sejam aparentemente editadas quando é conveniente dar suporte a uma posição específica.

 

Nas últimas poucas páginas, nós discutimos várias controvérsias sustentadas por aqueles que acreditam que a Urantia Foundation tem direitos de propriedade da Quinta Revelação de Época. Usando o material da própria Urantia Foundation, os temas que estamos procurando reunir em um é o direito de propriedade. Carolyn e Tom Kendall relatam que Bill Sadler Jr. advertia contra essa atitude num memorando interno de 1958:

 

“A menos que a Urantia Foundation se conduza com sabedoria pode gerar dissensão entre ela própria e a Brotherhood. Não há lugar para ingenuidade ou para qualquer exibição de sentimentos de propriedade com relação aos Documentos de Urântia”. 2

 

O fim do direito de propriedade

 

Muitos de nós que temos a convicção de que os Documentos de Urântia pertencem ao povo também acreditamos que, desconhecida de todos os Curadores da época, a nobre tarefa da Urantia Foundation de preservar inviolados os Documentos de Urântia foi descurada em 1967. Os responsáveis por esse erro foram provavelmente movidos pelo desejo de ter um “livro perfeito”, como Carolyn Kendall explicou. Para alcançar essa aspiração humana, esses indivíduos escolheram deixar de lado a Declaração de Custódia e “corrigir” o texto original pela aplicação de um “remendo rápido”. Não houve documentação, não houve trilha de papel, não houve votação unânime pelos Curadores. Esse ato impaciente tentando encurtar os procedimentos apropriados resultaram eventualmente na negligência de 1967, e tem sido seguida por dúvida e confusão crescentes entre os leitores.

 

Depois da morte do Dr. Sadler, durante os anos de 1970, a missão original da Foundation de preservar inviolados os textos originais dos Documentos de Urântia foi suplantada pelos esforços de estabelecer os direitos de propriedade do texto, da Bandeira de Michael e dos nomes “Urantia” e Urantian”. A coação secular dessas pretensões foi apoiada por alegados “mandatos secretos” que nunca foram plenamente revelados. Rumores vieram à tona de que o último membro remanescente da “Comissão de Contato” relatava que estava recebendo “mensagens especiais” dos Intermediários. Pouco depois de sua morte, o aparente herdeiro de Christy, Vern Grimsley, também alegou estar em contato com seres celestiais. Mais caos e conflitos vieram a seguir e continuam a dividir os crentes de Urântia. E, em meu julgamento, quase toda essa confusão em cascata tem sido a colheita de um só erro estupendo: a tomada de um vantajoso atalho na tentativa de “corrigir” e tornar “perfeito” o Urantia Book.

 

A maioria de nós que acreditamos que os Documentos de Urãntia pertencem ao povo, sustentamos que não há “mensagens secretas” nem dotes especiais para justificar a desonra da Declaração de Custódia. Acreditamos que a destruição de um número substancial de placas em 1967, sem o voto unânime dos Curadores, foi um erro humano e um ato não autorizado por “Reveladores” ou “Intermediários”. Não acreditamos que o Dr. Sadler de 92 anos teve qualquer parte em, ou conhecimento da destruição de parte dos Bens Substantivos em 1967. Acreditamos que a tentativa de negar ou acobertar o erro tornou-o maior. Em nosso julgamento as ações mal-orientadas de umas poucas pessoas têm causado incalculável dano à unidade espiritual do movimento de Urântia. E acreditamos que essa fragmentação do Movimento de Urântia procede, em larga medida, da falsa idéia de direito de propriedade e da aplicação de infundados “direitos” comerciais e de propriedade de uns poucos entrincheirados sobre uma Revelação que na realidade pertence a todo o povo.

 

Pessoas com títulos e especiais

 

A atitude de temor face ao direito de propriedade leva a uma segunda atitude de temor face a outra qualidade igualmente perigosa: a titulação. A titulação, como o direito de propriedade, não é inteiramente um tema político, pois também pertence à esfera dos valores. As atitudes face à titulação afetam todos os aspectos da luta política que está tendo lugar para controlar os próprios Documentos de Urântia. O elemento de “titulação” presumida dentro do Movimento de Urântia retrocede até metade dos anos Sessenta, talvez mesmo a data anterior a essa. Pode ser que tenha começado a emergir com força assim que os personagens celestiais se afastaram com a mensagem: “Vocês estão agora por conta própria”. Seguramente aquela declaração, que circulou livremente entre o Grupo de estudo dos domingos e os Setenta, era um claro apelo a todos os urantianos para assumir responsabilidade pessoal pela Revelação.

 

Todavia, a natureza humana não abraça prontamente a liberdade e a responsabilidade. O insucesso de outras revelações de época deixaram marcas em nosso planeta, e homens e mulheres tímidos geralmente esperam por alguém com “autoridade” para lhe dar permissão para agir:

 

“E os homens sempre tiveram a tendência para venerar um líder, ainda que seja às custas dos seus ensinamentos; de reverenciar a sua personalidade, ainda que percam de vista as verdades que ele proclamou. E isso não acontece sem motivo: há um desejo instintivo no coração do homem evolucionário, de receber ajuda de cima e do além. Esse anseio antecipou o aparecimento, na Terra, do Príncipe Planetário e, posteriormente, dos Filhos Materiais. Em Urântia, o homem tem sido privado de líderes e governantes supra-humanos e, por isso, constantemente procura compensar essa perda, envolvendo os seus líderes humanos em lendas que lhes atribuem origens sobrenaturais e carreiras miraculosas. [1008, par. 7]

 

As questões que os urantianos devem responder são estas: “Há realmente pessoas tituladas que têm um modo especial de relacionar-se com os Documentos de Urântia? Há realmente autoridades humanas infalíveis quanto aos próprios Documentos? Está sendo agora fornecida orientação celestial única para um círculo interior de pessoas especiais? Estão personagens celestiais realmente falando através de certas pessoas tituladas? Essas questões não são dirigidas apenas à Urantia Foundation, nem aos “líderes”, mas são em vez disso dirigidas ao próprio movimento como um todo. Cada indivíduo urantiano deve enfrentar esses temas porque as pessoas mais sábias e maduras têm com demasiada freqüência sido desviadas para o lado enquanto as mais agressivas e impiedosas assumiram posições de liderança. Além disso, com a moderna tecnologia, virtualmente qualquer um que pode apresentar um site pode assumir a postura de uma autoridde sobre os Documentos de Urântia. Uma regra primitiva usada por Clyde Bedell, Berkeley Elliott e outros urantianos sazonais era: Nunca houve nem jamais haverá uma “autoridade” humana sobre os Documentos de Urântia.

 

Distorções de uma Revelação Divina

 

Enquanto o grupo editorial e eu estávamos ainda pesquisando e trabalhando para completar esta história, já outra nova história era publicada. Birth of a Divine Revelation [O Nascimento de uma Revelação Divina] por Ernest Moyer busca adiantar, dentro de suas 600 páginas, várias noções que são tão bizarras que não necessitam comentário. Contudo, o livro também postula que os Documentos de Urântia foram corrompidos pelo Dr. Sadller, uma acusação que bate no núcleo de integridade da Revelação de Urântia, e não pode ficar irrespondida.

 

Cada indivíduo tem direito a suas próprias idéias. Contudo, há uma disciplina que é tradicionalmente exigida de um historiador que declara estar apresentando noções razoáveis para o leitor. Como alguns outros esforços de urantianos para escrever histórias, em O Nascimento de Uma Revelação Divina, Moyer mistura pura especulação, alegações documentadas e fatos estabelecidos descuidadamente, sem informar ao leitor qual é qual. São essas falhas que fazem de O Nascimento de uma Revelação Divina, de Moyer, mais uma coleção de teorias e artefatos curiosos do que um trabalho histórico sério. Mr. Moyer tenta degradar a experiência pessoal e as contribuições do Dr. Meredith Sprunger – e procura lançar dúvida sobre a integridade pessoal e a competência profissional do Dr.Sadler. Para dar suporte a seus ataques, ele usa fontes tais como Martin Gardner, Harold Sherman e Harry Loose. 3

 

De modo geral, o leitor experiente não terá dificuldade de peneirar ao longo do labirinto de fatos pobremente documentados e ficções especulativas em O Nascimento de Uma Revelação Divina. Mas alguns novos leitores podem ficar confusos, especialmente pelo fato de o autor declarar que “ama” profundamente a Revelação. Umas poucas das mais óbvias distorções requerem um comentário.

 

Para dar suporte à estranha idéia de que o Dr.Sadler, sem o saber, era a “personalidade de contato” o autor cita os Documentos de Urântia na página 208 de Birth of a Divine Revelation. A maneira pela qual ele distorce a citação é instrutiva:

 

… “Essa passagem naturalmente leva muitos a acreditar que se refere ao sujeito humano dos estudos de Sadler. Isso é sugerido pela declaração: ... níveis variáveis de contato com … certos mortais constituídos favoravelmente através da hábil penetração da mente do ‘residente’ do último. Isso seria o mecanismo de controle de transe do sujeito”.

 

A citação realmente se refere aos Intermediários secundários e suas habilidades de fazer contato com os Ajustadores do Pensamento. De forma completa, preenchendo, para restabelecer o texto real, as reticências que o autor usou por conveniência, a declaração da página 1258 de The Urantia Book tem um significado inteiramente diferente: “níveis variáveis de contato com os Ajustadores do Pensamento de certos mortais favoravelmente constituídos, por meio da penetração habilidosa nas mentes resididas pelos referidos Ajustadores”. Minha ênfase é mostrar as importantes palavras deixadas de fora pelo autor, distorcendo completamente o significado do texto. Certamente a referência nada tem a ver com “controle de transe”. O autor alega que os Intermediários “moveram os braços” do sujeito adormecido e o Dr. Sadler pôs um lápis em sua mão para conseguir que ele começasse a escrita automática. Isso é totalmente carente de documentação, infundado, e nem uma sombra de testemunho crível lhe dá apoio. Pelo contrário, há amplos testemunhos de que o sujeito nunca foi visto escrevendo o que quer que fosse, e que nenhum membro da Comissão de Contato jamais teve permissão de observar qualquer manifestação material da presença dos Intermediários.

 

Moyer alega que os Reveladores abandonaram os mortais depois da entrega dos Documentos de Jesus, em 1934-35, e deixaram as coisas nas mãos dos humanos. Para apoiar essa alegação o autor usa outra vez uma distorção das fontes primárias para alcançar seu desígnio. Ele alega que o Dr. Sadler declarou que os Documentos de Urantia foram “dados como completos” em 1934. Ele usa a História Dois como uma fonte. Nenhum erudito informado dos Documentos de Urântia leva essa noção a sério. Embora alguns dos escritos do Dr. Sadler tenham sido inseridos na História Dois, ninguém sabe com segurança quem realmente os agrupou. É de fato altamente improvável que o Dr. Sadler o tenha feito. Além do mais a declaração esta fora do contexto. Os próprios Documentos não estão anotados com uma declaração de que eles foram ou “completados” ou “certificados” em 1934-35. Essas palavras não são usadas em nenhuma anotação. Além disso registramos previamente o comentário de 1983 de Clyde Bedell: “Os Documentos foram revisados até que o Documento 196 foi apresentado, as questões formuladas e em seguida as respostas introduzidas no texto, que se ampliava, e assim por diante”. (Veja a nota final 11 do Capítulo 3 deste livro para uma análise das duas Histórias e testemunho de Clyde Bedell e outros de que os Documentos foram completados em 1942).

 

Talvez a noção mais singular que Moyer produziu foi sua tentativa de explicar as cerca de vinte inconsistências inócuas do texto. Ele alega que, depois da morte da Dra. Lena Sadler, em 1939, Christy tomou conta da Comissão de Contato e começou, sem o saber, a “canalizar” alterações do texto que vinham do “demônio”. Tais especulações, além de serem infundadas e burlescas, também introduziram idéias filosoficamente repugnantes para explicar coisas que têm uma causa mais simples. Além do mais, a razão indica que nem o Dr. Sadler nem Bill Sadler teria permitido ou perdoado tais atividades. Além disso, podemos estar razoavelmente certos de que a Comissão de Intermediários estava mantendo um olho observador sobre a Revelação até a mensagem de 1955: “Vocês estão agora por conta própria”. Isso ajusta os fatos documentados e o testemunho daqueles que estavam lá.

 

Mr. Moyer nos informa que ele tem a penetração espiritual para separar o material que é legítima Revelação do que é manipulação diabólica do “Demônio”. Eu pouparei o leitor e não baterei em qualquer tecla adicional. Deixarei esse homem falar por si mesmo e permitirei que o leitor julgue sua maturidade, estabilidade e caráter. Muitos urantianos têm protestado contra as asserções de O Nascimento de uma Revelação Divina. Aqui estão alguns dos comentários que o autor escolheu para disponibilizar amplamente na web no início de abril de 2.000, numa tentativa de defender O Nascimento de Uma Revelação Divina:

 

“Eu não apenas mostro que posso distinguir a diferença entre espíritos bons e maus, mas que posso definir suas operações”. [É auto-evidente que Mr. Moyer acredita que ele tem poderes espirituais carismáticos não concedidos às pessoas normais].

 

“Sadler tratava a Revelação como se ela estivesse sujeita às suas alterações arbitrárias”. [Absolutamente injurioso e difamatório. Isso se estilhaça em face do testemunho de todos os que conheciam o Dr. Sadler, e mais especialmente Clyde Bedell e Dr. Sprunger, como documentamos várias vezes em nossa história. Afortunadamente para Mr. Moyer, Clyde já não esta por aqui para responder a esses comentários malévolos acerca do Dr. Sadler. Mr. Moyer, que alega que ”ama” a Revelação, produziu um livro que, na opinião de alguns urantianos, rivaliza com os esforços de Harold Sherman e Martin Gardner para denegrir a reputação e as realizações do Dr. Sadler e depreciar a integridade dos Documentos de Urantia]

 

“Essa profunda exposição tinha que ser considerada aberta e honestamente. Não há como uma pessoa honesta possa esquivar-se. Ainda mais, nós temos que encontrar uma explicação razoável para a base lógica de Sadler”. [Essa pessoa “honesta” faz declarações infundadas difamando o Dr. Sadler e em seguida propõe “explicar” ações das quais o médico nunca foi culpado].

 

“Temos agora uma ilustração específica das práticas iníquas de Caligástia. [AKA o “demônio”] Defini agora como ele opera, com expressos detalhes”. [Novamente, é auto-evidente que Mr. Moyer acredita que ele tem poderes espirituais únicos].

 

“Se [Sadler] acreditou que as alterações vieram de uma autoridade celestial, como ele declara tão fortemente, somos então deixados com apenas uma alternativa, que ele tornou-se sujeito às maquinações de Caligástia. Ele assim fez porque não compreende os mecanismos das operações espirituais, embora tenha escrito vários livros a respeito disso”. [Esses comentários se assemelham às distorções da fanfarronice. Moyer não documenta onde o Dr. Sadler alguma vez declarou que ele autorizara quaisquer alterações, seja antes ou depois que as primeiras placas foram estampadas, ou que ele tinha qualquer contato com autoridades celestiais fora da Comissão de Contato. Talvez Moyer não possa documentar que o Dr. Sadler declarou qualquer uma dessas coisas “tão fortemente”, porque não há documentação afirmando que ele tenha, de qualquer forma, feito essas declarações. Além do mais, o Editor André Radatus mostrou-me que o Dr. Sadler não escreveu quaisquer livros acerca dos “mecanismos das operações do espírito”. A implicação de Moyer de que ele próprio é o primeiro mortal conhecido a entender os invisíveis “mecanismos das operações do espírito” parece ser auto-engrandecimento sem base].

 

“Somos agora deixados com uma preocupação de corrupção através de toda a Revelação. Devemos manter um olho de águia atento para que não caiamos na armadilha da aceitação descuidada de declarações da Revelação. Isso põe uma onerosa carga sobre nós, pois agora não podemos simplesmente tomar a revelação e usá-la até que nos tenhamos assegurado de que tal uso é válido, e adere à verdade”. [Por “nós” Moyer aparentemente quer dizer ele próprio, uma vez que não tenho conhecimento de nenhum outro mortal que alegue ter seus temíveis poderes. Essa declaração está dizendo, com efeito, que ele deve filtrar a Revelação para nós e em seguida dar-nos colheradas dela].

 

Devia ser claro para qualquer leitor de nossa história documentada que não havia meios simples de o Dr. Sadler fazer “alterações” no texto, uma vez posto ele em placas. Ninguém tinha autoridade para fazer alterações no texto original. Mesmo que um indivíduo tivesse uma idéia de fazer alterações, o texto estava fixado nas placas, provas tinham sido feitas e lidas, e (com a exceção de sua remoção para a impressão dos livros de 1955) as placas estavam nos subterrâneos das instalações de R.R. Donnelly & Sons, em Crawfordsville, Indiana. Nós discutimos amplamente o não-envolvimento do Dr. Sadler nas alterações que foram feitas na segunda impressão.

 

Muitos me asseguraram que nenhum urantiano informado leva a sério O Nascimento de uma Revelação Divina. Mas uma aparente característica do trabalho de Moyer pode ser largamente aplicada ao segmento carismático do Movimento de Urântia. Tenho encontrado vários urantianos que fazem alegações de “saber” coisas que não estão disponíveis para o resto de nós. Moyer nos informa, na capa traseira do seu livro, que ”Através de uma série de acontecimentos incomuns o autor veio a reconhecer que nosso planeta está experimentando visitações celestiais hoje ...” Essa espécie de declarações divertidas e insondáveis são características dos carismáticos.

 

Em Sedona, Arizona, outro individuo “titulado” também sustenta que ele tem status único e conhecimento negado aos mortais comuns. Ele está escrevendo uma “continuação” dos Documentos de Urântia. Como o autor de O Nascimento de Uma Revelação Divina ele alega que “ama” os Documentos de Urântia, embora também alegue que eles foram corrompidos pelo Dr. Sadler. Esse infundado ataque à integridade do Dr. Sadler é idêntico à posição de Harold Sherman e Martin Gardner. Naturalmente, como o autor de “O Nascimento de uma Revelação Divina”, esse indivíduo de Sedona também presume ter o “poder” para “corrigir” os “erros” que o Dr. Sadler supostamente cometeu quando alterou os Documentos.

 

Notemos que muitos daqueles que buscam controlar os Documentos de Urantia, ou usá-los para validar suas próprias atividades, procuram posicionar-se entre o leitor e a Revelação.

 

A mente centrada no culto e a “canalização”

 

Essas características de intitulação são verdadeiramente inofensivas para a Revelação? São as supostas comunicações com forças espirituais apenas divertimento benigno e agradável? Vejamos o que tem a dizer um Curador. Thomas C. Burns, Ph. D., foi eleito Curador da Foundation em agosto de 1992, e serviu até dezembro de 1997. A 10 de novembro de 1983, (um pouco antes do Alerta Vermelho de Vern Grimsley) O Dr. Burns tinha mandado uma carta para John Hales, Presidente da Urantia Brotherhood.. Os comentários do Dr. Burns acerca de “canalização” são instrutivos e interessantes. Aqui estão alguns trechos da carta de 1983:

 

“Se as alegações de Vern são inverídicas, a credibilidade que lhes foi dada por pessoas vistas como porta-vozes do movimento para disseminar os ensinamentos do Urantia Book , deveriam, em minha opinião, atrasar o movimento em pelo menos um quarto de século”.

 

O Dr. Burns prossegue para citar o Dr. Sadler longamente sobre o assunto dos psíquicos auto-iludidos. Em seguida ele expressa claramente os perigos das práticas carismáticas tais como a “canalização”. A perspectiva do Dr. Burns é igualmente tão válida e relevante hoje quanto o era em 1983:

 

“Há ... motivos suficientes para evitar tanto o endosso ativo quanto o passivo como já tem sido concedido por funcionários das organizações Urantia. A possível ação das dinâmicas sócio-psíquicas descritas acima, ou de forma mais exata, o insucesso em eliminar suas possibilidades, é apenas uma das razões para cautela. Outra, é o fato de que o método de aparecimento das alegadas revelações é de tão extrema variação quanto as do Urantia Book. Seus métodos parecem completamente antitéticos com relação aos ensinamentos dos Documentos de Urântia.

 

“Claramente, os dirigentes da Revelação de Urântia lutaram poderosamente para evitar a identificação dos contatos humanos, para que eles não fossem elevados, ou tentassem elevar-se ao status de um padre, um guru, uma autoridade, um dirigente. Outros foram rapidamente envolvidos para prover o equilíbrio nivelador de um Fórum. Votos de silêncio foram tomados e, na maior parte, observados.

 

“Somos advertidos claramente e repetidamente nos Documentos de Urântia contra o perigo de fazermos das pessoas sacerdotes, ou de buscarmos alguém para ligar-nos à nossa verdade pessoal. Os autores eram inconfundíveis em mostrar os perigos inerentes em ter uma pessoa recebendo a revelação e passando-a em seguida a outros, dessa forma estabelecendo a mais profunda dependência imaginável. Os documentos advertem inequivocamente contra atribuir acontecimentos psicológicos a contatos espirituais.

 

“... Embora provavelmente de maneira informal, a Família de Deus tem indubitavelmente desenvolvido um sutil e efetivo procedimento protetor na escolha de membros de mesma mentalidade tanto quanto uma (talvez inconsciente ) hierarquia. Quando se acrescenta a isso o fato de que seu carismático líder, de escolhidos e leais discípulos, está agora recebendo mensagens de seres mais altos, e esses discípulos são dependentes do líder para essas verdades, todos os elementos de um culto estão presentes. Tais sistemas sociais focam a realimentação positiva sobre o líder e o abrigam da realimentação negativa corretiva, permitindo que o sistema ganhe impulso ... e se reformule, passando a ressoar, a escalar alturas e a fortalecer-se cada vez mais. Constrangimentos, assim como fenômenos de experiências ilusórias, são muito prováveis, em tal situação.

 

“A Revelação dos Documentos de Urântia, como eu a entendo ... terminou. Os contatos foram suspensos. Isso foi o fim da revelação para chamar-se The Urantia Book, e uma organização foi formada para dar suporte à sua difusão. Se uma nova revelação está agora sendo fornecida, não deveria ela ser difundida por sua própria organização? Por que há qualquer envolvimento dos zeladores da Revelação de Urântia, afinal?” 4

 

Essa poderosa análise devia também ser aplicada para se compreender o que aconteceu a Christy quando o Dr. Sadler começou a falhar, e ela se tornou o líder de fato da Revelação. Devia também ser aplicada às políticas da Urantia Foundation e devia ser pesada por todas as organizações Urântia. Durante o apogeu da crise de Grimsley, o Dr. Jim Mills escreveu para Martin Myers:

 

“... Os [líderes] a que me refiro são aqueles que estão ... dizendo às assim-chamadas pessoas chave ... que eles deviam fazer toda sorte de coisas ridículas tais como comprar armas, aplicar em suprimentos, transferir registros para lugares seguros e em geral agir como se afetadas por uma terrível histeria ... numa palavra eles necessitam de um diagnóstico em vez de responsabilidade ... Eu recomendo fortemente que eles sejam afastados de seus cargos por conduta imprópria perante seus funcionários ... No momento , não posso ver nenhum lugar para essas pessoas no Movimento de Urântia. Penso que eles deviam demitir-se imediatamente. Eles certamente mostraram grosseira incompetência e inabilidade para ocupar posições de responsabilidade”. 5

 

Revelação de Época, auto-revelação ou ilusão?

 

Material “canalizado” pretensamente envolve personagens celestiais e assim deve ser classificado como revelação de época [1109] ou ilusão. Alguns urantianos são inclinados a repetir as indagações que o Dr. Burns formulou em 1983 acerca das atividades de canalização no Movimento de Urântia: Supõe-se que as assim-chamadas “mensagens canalizadas” sejam parte da Quinta Revelação de Época? Ou devemos acreditar que sejam uma nova Revelação de Época?

 

Alguns urantianos acreditam que o “círculo interior dentro de outro círculo interior” da Urantia Foundation nasceu sob a mesmo tipo de fantasma centrado no culto que produz a síndrome da canalização: status especial, e acesso privilegiado a informações celestiais. Primeiro as alegadas “mensagens” de Christy alimentaram o grupo interno que acreditava ter ela uma conexão especial com os Intermediários. Em seguida Grimsley tentou apossar-se da Revelação pela alegação de ter herdado os mesmos poderes carismáticos. E seguindo-se a isso, a Urantia Foundation justifica as modificações do texto original com a sutil alegação de conhecimento especial de natureza não revelada: “Temos razões para crer que nenhuma das alterações foi feita sem a aprovação dos Reveladores”.

 

O teste do verdadeiro professor

 

Como podemos saber se aqueles que seriam professores religiosos – e aqueles que seriam nossos líderes – são merecedores da nossa confiança? Emmett Fox parecia inspirado quando, em 1933, ele sugeriu o seguinte “teste” para determinar se um indivíduo é um “verdadeiro professor” ou não. A ênfase em algumas palavras são do original:

 

“Se ele aponta para a sua própria personalidade; se ele faz especiais reivindicações para si mesmo; se ele diz que recebeu privilégios especiais não acessíveis, em qualquer lugar, para toda a raça humana; se ele tenta em seu próprio nome ou na de uma organização estabelecer sob qualquer pretexto um monopólio sobre a verdade acerca de Deus; então, por mais aceitáveis que sejam as suas credenciais, por mais agradável que possa ser a sua personalidade; ele é um falso professor, e você faria melhor nada tendo a ver com ele.

 

“Se, pelo contrário, ele diz para dele desviar a vista, para buscar o Deus que está presente em nosso próprio coração, e para usar os livros, as preleções e as igrejas apenas como um meio para aquele único fim, então, por mais humildes que seus esforços possam parecer, por mais deficientes que suas demonstrações possam ser, ele é não obstante um verdadeiro professor, e está lhe dando o Pão da Vida”.

 

A Era Nascente da Responsabilidade Pessoal

 

Como muitos urantianos, eu experimentei as atitudes de autoridades hierárquicas em minha formação religiosa tradicional, e fui afastado da religião por causa delas. Subsequentemente fui atraído pelos Documentos de Urântia porque sua filosofia me emancipava da dependência de figuras de autoridade humana pela penetração espiritual. Como um urantiano eu vim a acreditar que um componente chave da Mensagem de Jesus é que nós somos livres, verdadeiramente livres de autoridades humanas em assuntos espirituais, e somos responsáveis apenas perante o Fragmento de Deus que reside em nós. Semelhantemente, pela primeira vez na história foi-nos concedida a posse de uma Revelação de Época – não para um círculo interno de pessoas especiais -- não “meramente para os padres” – mas para o próprio povo. Eles só precisam ouvir sua orientação interior e erguer-se e proclamar sua Revelação.

 

A tarefa diante de nós parece formidável. Contudo, urantianos com uma paixão por evangelizar podem ganhar coragem quando consideram o sucesso eventual dos missionários Melchizedek. Há quatro mil anos eles saíram para preparar o mundo para a outorga de Jesus. Dizem-nos que os “últimos baluartes do decrescente bando de Salém foi formado pelo zeloso grupo de pregadores, os Cínicos, que exortavam os romanos a abandonar seus rituais selvagens e insensatos ... Mas o povo em geral rejeitava os Cínicos: preferia mergulhar nos rituais dos mistérios, que não apenas ofereciam esperanças de salvação pessoal mas também gratificavam o desejo por diversões, excitamento e entretenimento”. [1081, par. 3] Contudo, os urantianos devem notar que o fervoroso trabalho de Salém não foi em vão. “... embora não tenha produzido qualquer religião imediatamente aparente, não obstante [aquele trabalho] forneceu os fundamentos sobre os quais os mestres da verdade viriam a estabelecer mais tarde as religiões de Urântia.” [1009, par. 4]

 

Uma nota pessoal

 

Em meu julgamento, a era de superstição, gurus e autoridades espirituais especiais está chegando ao fim. A era do Ajustador do Pensamento e da responsabilidade pessoal está nascendo. Quanto a isso, eu creio que nós urantianos comuns, a quem tanto foi dado, fomos todos encarregados de levar as boas novas da emancipação e capacitação para a espiritualidade empobrecida do mundo. Todos os urantianos podemos concordar que a brilhante e cintilante alma da nossa Revelação é, e sempre será, o conjunto dos Documentos de Urântia. Esta história, em razão do melhor da habilidade de Joan, de mim mesmo e de vários outros urantianos dedicados a apresentá-la, é a história daqueles Documentos. Este esforço para desenvolver uma história fidedigna estimulará, esperamos, ulteriores pesquisas disciplinadas e eruditas. Como o Mestre nos disse, “Não pode haver paz entre a luz e as trevas, entre a vida e a morte, entre a verdade e o erro. [1905] Investigações adicionais e debate honesto resultarão na percepção de novos níveis do significado e da missão dos Documentos de Urântia.

 

Esta história, esperamos, também ajudará os jovens a melhor compreender o que aconteceu a minha geração de idosos – e talvez cansados – urantianos. Começamos nossa jornada, todos nós, com elevadas esperanças pela unidade espiritual de nosso movimento. Também nós tivemos grandes planos de obras derivadas, iniciativas evangélicas e bela ajuda ao estudo. Mas ficamos com medo – medo de desaprovação, medo de sermos levados perante a justiça. Uma grande Revelação não pode ser conduzida por pessoas que estão com medo. Clyde Bedell repetidamente insistiu com os urantianos para largar o medo e agir. Depois de ser alvejado por um infundado e custoso processo movido pela Urantia Foundation e que foi eventualmente retirado, James “JJ” Johnson escreveu:

 

“Não há ser humano, ou grupo de seres humanos, organização, instituição, fundação ou qualquer outra entidade temporal de qualquer espécie que tenha autoridade sobre as verdades reveladas nos Documentos de Urãntia. The Urantia Book deriva sua autoridade dos frutos de sua aceitação nos corações daqueles indivíduos que preferem aceitar essas verdades baseados na liderança do divino Fragmento que reside em cada um de nós e guiados pelo Espírito da Verdade”.

 

Contudo, James Johnson é uma exceção. Minha geração geralmente não tem sido uma geração de ação. Nós temos estado ocupados em diálogos acerca do significado e missão dos Documentos de Urântia. Jovens urantianos nos observam com curiosidade enquanto nós “representamos a revelação” – e debatemos amargamente e interminavelmente acerca do que devíamos ou não fazer. Aproxima-se o tempo em que nós urantianos antigos devemos desocupar o lugar para uma nova geração, uma invisível fraternidade de crentes comprometidos com o significado e a missão dos Documentos de Urântia. Uma missão comum, não uma organização, unirá espiritualmente esses urantianos.

 

Como Jesus o colocou:

 

“… e assim todos os filhos da luz serão feitos um, e serão atraídos na direção uns dos outros. E dessa mesma maneira eu e meu Pai seremos capazes de viver nas almas de cada um de vocês e também no coração de todos os outros homens que nos amam e tornam esse amor real em suas experiências por amarem-se uns aos outros, do mesmo modo como eu agora os amo.” [1949, início]

 

Para o bem-estar dos crentes urantianos, somos informados, nas páginas finais dos Documentos de Urãntia, de que o evangelho de Jesus um dia prevalecerá.

 

Asseguram-nos que a humanidade está vacilando nos precisos limites de uma de suas mais espantosas e subjugadoras épocas de reajustamento social, pronta moralidade e iluminação espiritual. Somos estimulados com a predição de que algum dia aparecerão novos líderes que trarão energia para urântia e surpreenderão o mundo com sua assustadora devoção à Revelação e uns aos outros. Na verdade, para tomar emprestadas as inspiradoras palavras de Susan B. Anthony, “Falhar é impossível”.

 

Imediatamente antes de partir para sua missão neste planeta, Jesus advertiu seus associados para “solenemente evitar todas as formas de orgulho espiritual”. Então disse para todas as idades ainda por vir, e para todos com ouvidos ouvir:

 

“Vocês deram início a esse grande trabalho de ensinar o homem mortal que ele é um filho de Deus. Eu mostrei a vocês o caminho; prossigam para cumprir seu dever e não fiquem cansados de fazê-lo bem. Para vocês e para todos os que seguirem os seus passos através das idades, deixem-me dizer: Eu estarei sempre perto, e meu convite e chamado é, e sempre será: Venham a mim todos os que laboram e estão pesadamente cansados e eu vos darei descanso. Tomem meu jugo sobre si e aprendam comigo, pois eu sou verdadeiro e leal e vocês encontrarão descanso para suas almas”. E eles descobriram que as palavras do Mestre eram verdadeiras quando submeteram suas promessas a teste. E desde aquele dia milhares sem conta também testaram e provaram a segurança das mesmas promessas”. [1808, par. 1&2]

 

NOTAS FINAIS

 

1. Relato de Thomas A. e Carolyn B. Kendall, de 21 de junho de 1990,intitulado: RESPONSE TO URANTIA FOUNDATION'S SPECIAL REPORT TO THE READERS OF THE URANTIA BOOK AND COMMENTS ON OTHER RELATED SUBJECTS [Resposta a um Relato Especial da Urantia Foundation para os Leitores do Urântia Book e Comentários sobre outros Assuntos Relacionados], página 2.

 

2. IBID., página 2.

 

3. Harry Loose é uma fonte chave de informações para o autor de O Nascimento de uma Revelação Divina. Ele aparece três vezes no Índice de O Nascimento de uma Revelação Divina (que, como o livro, é pobremente organizado e confuso): como Harry J. Loose (4 referências), Harry Loose (20 referências), e como simplesmente Loose (33 referências). Sherman e Loose eram uma boa equipe. Loose alegava que podia girar em seu “corpo astral” e aparecer a milhares de milhas de distância, à vontade, e Sherman (de acordo com o livro de Gardner) alegava que podia fazer passeios a Júpiter, fora do corpo. Os dois desenvolviam uma correspondência denegrindo o Dr. Sadler, a qual era a fonte de muitas das informações negativas de O Nascimento de uma Revelação Divina. Mr. Gardner escreveu que Harold Sherman “... escreveu mais de 25 livros acerca de ESP, pk, precognição, poltergeist, ESP animal, pesquisa com vara mágica, ouija, pranchas, UFOs e assim por diante. Um de seus livros diz como gravar em fita as vozes dos mortos”. O autor de O Nascimento de uma Revelação Divina parece preferir continuamente o testemunho dos auto-proclamados psíquicos Harold Sherman e Harry J. Loose aos dos estimados urantianos Dr. Meredith Sprunger, Dr. William S. Sadler, e Clyde Bedell.

 

4. VERN GRIMSLEY MESSAGE EVALUATION [Avaliação da Mensagem de Vern Grimsley], por Hoite C. Caston, 17 de junho de 1994, Apêndices.

 

5. IBID., Apêndices.