HISTÓRIA DOS DOCUMENTOS DE URÂNTIA

 

De Larry Mullins

 

Com

 

Meredith Justin Sprunger

 

NOTA PESSOAL

 

Nota Pessoal para Nossos Irmãos e Irmãs de Língua Espanhola

 

As conclusões que formulamos no Epílogo da edição de 2.000 da História dos Documentos de Urântia permanecem como declaradas no Epílogo. Nenhum fato material importante foi desafiado com sucesso. Não houve alterações intrusivas feitas por seres humanos na edição de 1955 dos Documentos de Urântia. Quanto a alguns dos eventos que tiveram lugar no Fórum, a publicação dos Diários de Sherman forneceram novas informações que justificaram uma nova redação do material relativo a “O tumulto de Sherman” na edição original. Contudo, Os Diários de Sherman não forneceram qualquer nova evidência que desse suporte à alegação de que o Dr. Sadler tinha alterado o texto dos Documentos de Urântia. Há aqueles que continuam, contudo, a acreditar que ele o fez. Continuam desafios à veracidade de fatos científicos individuais e seções históricas dos Documentos, e os leitores precisarão julgar esses assuntos por si mesmos.

 

O que podem, então, os leitores de língua espanhola dos Documentos de Urância concluir? Francamente, em meu julgamento os leitores de língua inglesa enfrentam os mesmos problemas. Em quais organizações acreditar, quais verdadeiramente servem à Revelação? Ou convém evitar as organizações como um todo? E por que a Revelação não tem atraído mais atenção na América? É possível que o mundo de língua espanhola será o primeiro a carregar a tocha da Revelação? Essas questões serão respondidas com o tempo. Depois de perto de quarenta anos estudando os Documentos e trabalhando com as organizações Urântia de todo tipo, minha própria perspectiva pode ser instrutiva.

 

Parece que cada organização existente tem seu apelo particular e atrai certos leitores. Em meu julgamento, há também uma invisível irmandade espiritual que transcende todas essas divisões e debates. Se dividirmos todos os buscadores da verdade em segmentos verticais, os que apóiam a Foundation num segmento, os que apóiam a Brotherhood noutro segmento, e assim por diante, a situação parece sem esperança. Contudo, se dividirmos todos os buscadores da verdade em camadas horizontais, de acordo com um julgamento razoável de sua maturidade e devoção aos valores da iluminação, surge um quadro diferente. Aqueles que seriam nossos líderes podem não mais ocupar os níveis mais altos, e muitos indivíduos que talvez fossem previamente desconhecidos serão encontrados seguramente no topo. Esses indivíduos de mente elevada são os líderes dos servidores que se devotam às tarefas da Revelação, quer tenham eles ouvido falar da revelação quer não. Como reconheceremos essas pessoas? Jesus deu-nos o teste perfeito: conhecê-los-emos pelos seus frutos. Em outras palavras, se eles clamam ser uma macieira, peça-lhes que lhe mostre suas maçãs. Ironicamente, o objetivo original da Revelação parece ter sido alcançado. A validade da Revelação deve depender do seu conteúdo não de sua suposta origem miraculosa ou de qualquer autoridade ou organização humanas. É claro que a Revelação nega sua infalibilidade e limitações. [Veja página 1008] É também claro que a Revelação nos foi dada para que façamos algo com ela. [Veja as páginas 2017-2018]. Que vamos então fazer? Como conheceremos a verdade? Como traremos as verdades da Revelação para as pessoas do mundo?

 

Os Documentos nos dizem que a única maneira de revelar a verdade é vivendo-a. Jesus viveu-a. Parece claro que somos chamados para transmitir a Revelação pelo modo como vivemos nossas vidas. Somos chamados, todos nós, não menos do que os clérigos. Em essência, os Documentos de Urântia são um chamado para que os mortais evolucionários sigam o Mestre e vivam a verdade. Essa tarefa está longe de completa. Ela foi posta em movimento há 400 bilhões de anos, quando a matéria-prima e os subterrâneos adormecidos do espaço começaram a turbilhonar no crescimento de uma poderosa empresa criativa. É uma tarefa que foi impulsionada pelo próprio Filho Criador sobre as poeirentas estradas de Israel há 2.000 anos e que voltou para que as mãos humanas a completem.

 

Numa análise final, o que nós afirmamos acreditar é de pouca importância. Durante muito tempo as pessoas acreditaram que o mundo era plano. Se a nova Revelação da religião de Jesus é simplesmente um conjunto fechado de proposições para que nelas acreditemos, isso não é uma exigência de tão alto custo para entrar no reino. Se Jesus de Nazaré é o maior homem que jamais viveu, então há paz e conforto no evangelho, e nenhuma urgência. Mas, deveríamos recordar as palavras de C. S. Lewis, que disse: “Se você busca a paz, você nem encontrará a paz nem a verdade. Se você busca a verdade, você encontrará a paz e a verdade”. Se ousarmos imaginar que é verdade que um ser pré-existente veio do Paraíso e criou o universo local, e que em seguida, disfarçado de um homem comum, voltou a um perigoso planeta evolucionário dilacerado pela luta, onde sofreu sobre a cruz da existência humana por quase 35 anos, e que sua tarefa, ainda não completada, de iluminar as mentes evolucionárias, ele a confiou aos seres humanos para que a concluam, então a religião de Jesus não é tão fácil.

 

Se é verdade que Deus tem necessidade de nós e que Jesus ainda vive, nós nos encontramos fitando os olhos do ardente amor do Mestre. Não evitamos esse resultado quando nós, como Nalda à beira do poço, apontamos em todas as direções exceto nosso próprio coração? Se apontamos para as colinas distantes e falamos acerca dessa ou daquela declaração dos Documentos, ou acerca de comunidade e distribuição de livros, ou a respeito de missões instrutoras, e quem possui o Urantia Book e o que nós acreditamos, não estamos saindo do assunto? Se não evitarmos o olhar indagador do Mestre nós daremos a volta no círculo inteiro. A questão de se tomaremos nossas próprias cruzes e seguiremos ou não Jesus confronta-nos com urgência cada vez maior. O Mestre nos pede, incessantemente, para olharmos outra vez dentro dos nossos próprios corações, e diz que se um homem ou uma mulher desejar segui-lo deve esquecer-se de si mesmo e assumir diariamente suas responsabilidades e segui-lo. Se essa é verdadeiramente a tarefa diante de nós, a nova e eterna religião de Jesus, como revelada nos Documentos de Urântia, não é assim tão fácil. Não é de admirar que os Documentos o declarem à maneira de Nalda:

 

“Os modernos homens e mulheres de inteligência fogem da religião de Jesus por causa de seus temores do que ela fará a eles – e com eles. E todos esses temores são bem fundados. A religião de Jesus de fato domina e transforma os seus crentes, exigindo que os homens dediquem as suas vidas a buscar um conhecimento do que é a vontade do Pai no céu, e exigindo que as energias da vida sejam consagradas ao serviço altruísta da irmandade dos homens.

 

“Os homens e as mulheres egoístas simplesmente não pagarão esse preço, nem mesmo pelo maior tesouro espiritual jamais oferecido ao homem mortal. Somente quando o homem se houver tornado suficientemente desiludido, pelos desapontamentos dolorosos que acompanham as buscas tolas e decepcionantes do egoísmo, e depois da descoberta da esterilidade da religião formalizada, é que ele dispor-se-á a voltar-se, de todo o coração, para o evangelho do Reino, a religião de Jesus de Nazaré”. [2083]